JUP Online

Blogue do Jornal Universitário do Porto

Editorial 04/07/2009

Filed under: Editorial — Carlos Daniel Rego @ 21:55

Palavras Voláteis

Carlos Daniel Rego, carlosdanielrego@gmail.com

Parece cliché, mas com esta edição termina um ano lectivo recheado de bons e de maus momentos. Falemos dos bons! Demos continuidade à publicação de um título universitário com 22 anos de existência, aventurámo-nos na blogosfera e nas redes sociais com a cobertura do Fantasporto, das Férias Desportivas e da Queima das Fitas. Reaproximámos o JUP da academia e dos estudantes. Fizemos jornalismo sério, com rigor e isenção.

É verdade. Nem tudo foi fácil. Devido a uma série de acontecimentos inusitados não foi possível imprimir a versão de Junho do JUP. Fica, apesar de tudo, aqui, neste blogue, a sua reprodução, por respeito e consideração a todos os que para ela trabalharam. Porque, numa altura em que a crise irrompeu pelas nossos bolsos e mercados sem pedir licença e em que o processo de Bolonha se começa a enraizar nos nossos hábitos, é de louvar e agradecer a todos aqueles alunos da academia do Porto, de todos os cursos da academia do Porto – universidades e politécnicos, públicos e privados – que todos meses despenderem do seu tempo, criatividade, engenho e até, porque não dizer, do seu dinheiro para colocar nas bancas o Jornal da Academia do Porto.

Por isso tudo e mais, partimos para os exames – e só depois para as férias – com a consciência tranquila, com o sentimento de dever cumprido. Juntos, aprendemos, na redacção de um jornal universitário, que nada se faz sem trabalho e sem espírito de sacrifício. Tomámos, sobretudo, consciência que só errando poderemos evoluir como estudantes, como cidadãos e, no final, como homens e mulheres desta sociedade futura e apressada.

Para o próximo ano lectivo fica a promessa e a vontade. Vamos fazer do JUP aquilo que ele merece ser: o jornal de referência da Academia do Porto. Voltamos em Setembro com uma nova equipa e uma imagem renovada. Voltamos em Setembro com um novo projecto: o JUPonline.

 

FEP brilha em competições de Gestão

Filed under: Economia — Carlos Daniel Rego @ 20:56

No Canadá, quatro alunos da FEP levaram a UP ao top 10 da John Molson Undergraduate Case Competition. Em Portugal, duas equipas da FEP chegaram à final nacional do Trust Danone.

Susana Correia e Luana Barbosa

No mês de Fevereiro, a John Molson Undergraduate Case Competition (JMUCC) envolveu 80 alunos de 20 conceituadas universidades da América do Norte, Europa e Ásia. Entre as 20 universidades estava a Universidade do Porto (UP), que obteve o 2.º lugar do grupo em que ficou inserida, o que lhe permitiu alcançar o top 10 da classificação final. A Universidade de Washington (Seattle, EUA) foi a vencedora.

A equipa da UP foi constituída por quatro estudantes da FEP: José Pedro Fique, André Lemos, Tiago Espinhaço Gomes e Inês Santos Silva.  A acompanhá-los esteve a professora Renata Blanc, responsável pela organização e preparação da competição.

A JMUCC é uma competição internacional ligada ao mundo da Economia e da Gestão. A prova consiste na resolução de um problema empresarial real.

Numa outra competição, organizada pela Danone, duas equipas da FEP – a FEP Challengers, composta por João Barbosa, Filipa Ferraz, Luís Fonseca, Jorge Santos e Cristiana Torres e a Trust FEP, composta por Sara Fernandes, João Laranjeira, João Matos, Leonel Silva e Tiago Soares – atingiram a final nacional, onde não chegaram equipas da Universidade Nova de Lisboa ou da Universidade Católica do Porto.

3 Perguntas a João Barbosa

1. Para quem não sabe, explica em que consiste uma competição/jogo de gestão entre estudantes universitários?
Estas competições são geralmente organizadas ou apoiadas por grandes empresas. Os estudantes são convidados a simularem a gestão quotidiana ou estratégica de empresas. O objectivo é mostrarmos e desenvolvermos competências, como capacidade de trabalho sob pressão, espírito de equipa e de liderança, etc. Pretende-se estimular o dinamismo nos alunos e detectar e recrutar os que se destacam pela sua pro-actividade.

2. Achas que ser aluno da FEP contribuiu para o vosso sucesso no Trust Danone?
Sem dúvida. A formação recebida na FEP dá-nos uma cultura de exigência e uma capacidade analítica muito importantes para as várias decisões tomámos no jogo. Não terá sido por acaso que as duas equipas da FEP chegaram à final nacional. Adicionalmente a Faculdade apoiou financeiramente as viagens a Lisboa para a semi-final e para a final. A parte menos positiva é a falta de preparação para apresentações em público com impacto, que nos coloca em alguma desvantagem face às equipas adversárias.

3. Como motivarias alguém a participar numa dessas competições?

O Trust foi uma excelente experiência de aprendizagem e muito divertido. Estas competições permitem-nos um primeiro contacto com o universo empresarial. Treinámos áreas diversas como o marketing, recursos humanos, decisões de investimento, apresentações em público, entre outras. Além disto, somos valorizados no mercado de trabalho e ficamos na base de dados de grandes empresas.

 

Crítica: Ofício Cantante, Herberto Helder

Filed under: Críticas — Carlos Daniel Rego @ 20:45

O eterno revisor

Tiago de Sousa Garcia

ocO acontecimento literário de 2008 foi o lançamento de um novo Herberto Helder. A Faca Não Corta o Fogo, edição de 2000 exemplares (que são quase dois mil exemplares a mais em relação ao que um livro de poesia vende habitualmente) esgotou em poucos dias e foram muitos os que ficaram desesperados por não conseguirem um exemplar (grupo onde, triste, me incluo).

Mas eis que chega 2009 e com ele uma notícia que até nem era imprevisível. Lança-se Ofício Cantante, a nova poesia completa do autor português, que toma o título emprestado da primeira reunião dos seus trabalhos, editada em 1967 pela Portugália.

Como criticar Herberto, (leia-se em criticar um humilde ler) quando tantos e tão melhores do que eu tentaram e falharam? E mesmo os poucos habilitados a não falhar sentem e admitem o peso da tarefa. É, para mim, impossível encontrar falhas ou exaltar a perfeição no poeta que eternamente se revê a si próprio, limando, trabalhando, depurando cada verso, insistentemente. Essa perfeição, que de tão perseguida, ao mais simples significante faz corresponder significados quase impensáveis: “A menstruação quando na cidade passava / o ar. As raparigas respirando” (p. 196).

“Há dias em que basta olhar de frente as gárgulas / para vê-las golfar sangue” (p. 364) e há dias em que quase tenho medo de abrir Ofício Cantante porque me sei incapaz de sentir o eterno poema contínuo que é a obra herbertiana: “não tenho / o dom de um paraíso de avencas rutilando / ao frio” (p. 461). E sem dar por isso, abro-o, percorro-o, sentindo-me mais pequeno a cada página, mais insignificante a cada verso perante o génio (sou dos que exultam Heberto, talvez por me saber pequeno, e não dos que o negam, talvez por inveja de admiração) que não é simples génio mas proletário incessante na fabricação do poema.

Sem dar por isso, chego ao derradeiro verso, “abrupto termo dito último pesado poema do mundo” (p. 618). De cada vez que o faço, pergunto-me: como ler o maior poeta vivo da língua portuguesa?

 

Crítica: Thieves Like Us, Plano B

Filed under: Críticas — Carlos Daniel Rego @ 20:42

A maquilhagem esborratou-se

Mariana Duarte

thieves-like-us-mainLançado no Verão passado e acolhido pelo Pavilhão Rosa Mota, o festival Beat It regressou no Inverno pela mão do Plano B. Juan MacLean foi o cabeça-de-cartaz da noite, à qual se seguiu a estreia em Portugal dos Thieves Like Us.

Não vimos uma sala inundada de pessoas, mas a expectativa era notória em grande parte dos espectadores. Antes da banda entrar em palco, ouvia-se o último álbum dos Fujiya & Miyagi, Lightbulbs. Fez-se o aquecimento, traçando-se linhas de krautrock que iriam ser continuadas pelas trilhas sonoras dos Thieves Like Us.

Mas do ambiente estimulado passou-se para um cenário tíbio e apático, com a chegada dos Thieves Like Us. Fez-se soltar o início com o borbulhar electrónico de Program Of The First Part, o tema de abertura do álbum, Play Music. A falta de robustez que se sentiu logo desde o começo alongou-se e desenvolveu-se até ao final do concerto.

Drugs In My Body pôs a nu uma voz desarranjada, de uma monotonia que nem consegue ser uniforme. Perde-se o apelo físico dos beats, rompem-se as dimensões krautrock que estruturam o encanto de Fass. O hipnotismo de An Easy Tonight converte-se num marasmo sonoro. A debilidade do instrumental é gritante, tal como a incapacidade de execução e comunicação entre os músicos.

Desire, Your Heart Feels e Headlong Into Night não deixam dúvidas: estamos perante uma banda desleixada, sem nervo, que não consegue transpor para o palco aquilo a que se propõe em disco. Percebemos como há truques de estúdio e como não há a mínima habilidade (e esforço) para tentar evitar que a maquilhagem se desmanche. Até no público bastante concordante – que fazia a sala “parecer uma Universidade”, disse o vocalista – se desmascarava alguma inércia. Foi um concerto incómodo, pelo tombar do interesse que víamos na música dos Thieves Like Us.

Pontuação: 06/10

*O JUP errou: Por lapso, a crítica de Thieves Like Us deveria ter sido publicada na edição de Maio do JUP.

 

Crítica: Cinematic, Teatro Sá da Bandeira

Filed under: Críticas — Carlos Daniel Rego @ 20:27

E acerca de cinema se faz a música

Filipa Mora

Foto: Pedro Ferreira

Foto: José Ferreira

Depois de Grey Reverend ter feito as honras da casa para uma sala ainda por encher, os britânicos Cinematic Orchestra são recebidos efusivamente pelo Teatro Sá da Bandeira já completamente cheio.

Seria cliché referir que a música do grupo que assina pela Ninja Tune segue a lógica de banda sonora, mas é inevitável porque a premissa é verdadeira.

Entre muitos aplausos e com um alinhamento que revisitou hits como All That You Give” e experimentou músicas mais recentes do seu último álbum “Ma Fleur”, o grupo não esqueceu a mítica Work It!.

O saxofone de Tom Chant e os arranjos vocais de Heidi Vogel, substituta em palco de Fontella Bass, partilharam o protagonismo da noite com o solo do baterista Luke Flowers que, entusiasticamente e a custo, saiu do palco.

Com um concerto refinado para fans, The Cinematic Orchestra prova que consegue muito mais que a memorável recriação sonora do conhecido filme de Dziga Vertov, “O Homem da Câmara de Filmar”. Durante pouco mais de hora e meia, exploraram-se as nuances jazzísticas, onde a electrónica se juntou com a dança orquestrada maioritariamente pelo piano, bateria e contrabaixo.

Pontuação: 07/10


 

Crítica:Al di Meola, Jazz ‘n’ Gaia

Filed under: Críticas — Carlos Daniel Rego @ 20:24

O filho pródigo e o “cigano distinto” *

José Ferreira

Foto: Pedro Ferreira

Foto: José Ferreira

A última vez que Pinho Vargas actuou em Gaia foi em 1984, como o pianista e compositor fez questão de recordar numa saudação calorosa a meio do concerto.

No dia 2 de Abril de 2009 voltou, mas desta vez ao Teatro d’Avenida, frente ao Corte Inglês, para abrir o Jazz ‘n’ Gaia.

O concerto teve o seu ponto alto quando soaram os primeiros acordes da música Tom Waits, obra maior do compositor gaiense, a qual trouxe um pouco de energia a uma performance tecnicamente irrepreensível, mas demasiado melancólica para reunir consensos à sua volta.

Passada uma hora o músico despediu-se do público com “Cantiga para Amigos.

Seguidamente subiram ao palco Al di Meola e uma versão reduzida do New World Sinfonia. Ao contrário do que estava inicialmente previsto o percussionista Gumbi Ortiz não esteve presente, deixando Al di Meola (bem) acompanhado pelo acordeonista Fausto Beccalossi e pelo guitarrista Peo Alfonsi.

Durante duas horas deliciaram o público com Mysterio, passaram pelo Café de Piazzola e terminaram numa Mediterranean Sundance.

O concerto terminou com uma canção clássica da Sardenha, No Poso Reposare.

Pontuação: 08/10

*– Elegant Gipsy nome do 2º cd de 1977

 

Eleições para o Conselho Geral da U.Porto

Filed under: U.Porto — Carlos Daniel Rego @ 20:17

JC/REIT

Rui Reis e Lista A à frente (DR)

Rui Reis e Lista A à frente (DR)

A Lista A ficou à frente nas eleições, entre os estudantes, para o Conselho Geral da Universidade do Porto. A Lista A conseguiu eleger três representantes, contra um da Lista B. Da Lista A foram eleitos: Rui Filipe Reis, da FMUP, Alexandra Babo, do ICBAS, e Paulo André Vasconcelos, da FEUP. A Lista B conseguiu a eleição de Luís Carlos Rebelo, da FEUP, o segundo mais votado dos quatro eleitos.

No acto eleitoral dos docentes e investigadores, a Lista A foi a que conseguiu eleger maior número de representantes, das quatro listas que se apresentaram a votação. Os cinco representantes eleitos desta Lista foram: Zulmira Coelho Santos, da Faculdade de Letras, com 73 votos; Sebastião Feyo de Azevedo, director do Departamento de Química da Faculdade de Engenharia (FEUP), com 69 votos; José Amarante, da Faculdade de Medicina, com 64 votos; António Torres Marques, da FEUP, com 39 votos; e Baltazar Castro, actual presidente do Conselho Directivo da Faculdade de Ciências (FCUP), com 37 votos.

A segunda Lista mais votada foi a Lista C, conseguindo eleger 3 representantes: Alexandre Quintanilha, do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), com 63 votos; Pedro Guedes de Oliveira, da FEUP, com 45 votos; e Ana Margarida Damas, do ICBAS, com 32 votos. A terceira mais votada foi a Lista B, que conseguiu dois representantes, o mesmo número que a Lista D, resultado que se explica pelo Método de Hondt e pela dupla votação (em listas e pessoas dentro das listas).

Da Lista B, os representantes são: Luís Belchior Santos, da FCUP, que conseguiu 45 votos, e Isabel Menezes Figueiredo, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação (FPCEUP), com 44 votos. Os representantes da Lista D foram: Manuel João Monte, da FCUP, com 55 votos, e Paula Botelho Gomes, da Faculdade de Desporto, com 37 votos.

Funcionários votaram também para o Senado

Quanto aos funcionários que votavam tanto para o Senado, como para o Conselho Geral, a Lista A foi a mais votada para os dois órgãos. Para o Senado, os representantes dos não docentes e não investigadores são: Manuel Rosa Gil (FCUP), pela Lista A, e João Cabral Leite, (Faculdade de Letras), pela Lista B. Para o Conselho Geral, foi eleita Felicidade Lourenço (Faculdade de Medicina Dentária), representante da Lista A.

Embora não havendo concertação, a coincidência levou à vitória das Listas A nos actos eleitorais nos três corpos constitutivos da Universidade. Os representantes dos docentes e investigadores e dos estudantes no Senado serão encontrados a partir de colégios eleitorais formados por representantes das várias unidades de ensino e investigação, aos quais se associam os membros por inerência. Os membros eleitos do Conselho Geral (12 funcionários, 4 estudantes e 1 funcionário) vão cooptar seis personalidades da sociedade civil para formar o 1º Conselho Geral da Universidade do Porto. Estes são os primeiros órgãos da Universidade do Porto da fase fundacional e pós-RJIES (Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior).

O Conselho Geral elegerá depois o Reitor, sendo que o actual, José Marques dos Santos, se manterá em funções até final do mandato, em 2010.

 

 
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